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terça-feira, 14 de abril de 2020

A verdadeira oração há muito esquecida


"a oração é um exercício de humildade, de reconhecimento da nossa condição perante Deus, isso foi há muito esquecido pelas ultimas gerações"



Há umas semanas, em uma reunião com jovens por vídeo conferência, foi feita uma pergunta; se existe uma forma correta de orar. As respostas giraram em torno da sinceridade e de a quem a oração deve ser direcionada, se é certo orar ao Filho ou ao Espírito Santo.

Lá pelas tantas fiz uma intervenção lembrando que devemos sim seguir o ensino de Cristo na oração do Pai Nosso, ou seja, a nossa oração deve sim ser direcionada ao Pai, composta de glorificação a Deus (santificado seja o teu nome); pedindo pelas coisas celestiais, salvação, vida eterna (venha a nós o teu Reino); uma confissão sincera de submissão a Deus (seja feita a tua vontade); pedir pelas nossas necessidades (o pão nosso de cada dia nos dai hoje), sabendo que Cristo não morreu para nos dar coisas materiais; suplicando perdão conscientemente (perdoai nossas ofensas), não adianta pedir perdão sem arrependimento ou de falhas que não sabemos que cometemos; por fim pedir que para não cedermos a tentações e sermos livrados do mal, do pecado e da morte que o pecado impõe.

Além disso, lembrei que não basta a sinceridade mas a consciência de que Deus só nos atende através de Jesus, Ele é nosso intercessor, nosso advogado (I João 2.1). Jesus mesmo disse que se pedirmos em nome Dele o pai nos concederá (João 1.13).

Mas principalmente coloquei para aqueles jovens que não sabemos como orar (Romanos 8.26), não sabemos o que pedir, nem como pedir, em outras palavras, só Deus sabe o que é melhor para nós, portanto não adianta ficarmos nos apegando a divagações teológicas nem a sentimentalismos, precisamos conscientemente entender nossa condição tão pequena diante de Deus.

Hoje, em um sábado, ouvindo o louvor “A Calma[1]”, composto pelo irmão Diego Albuquerque[2], vi a síntese de tudo que falei acima, veja a primeira estrofe:

É na oração
Que fiz de coração
Que encontrei a calma
Que acalenta a alma
Onde o meu eu
Se submete a Deus
A paz que me invade
E traz a liberdade pra viver

Nessa letra o irmão em Cristo expressa exatamente, com a beleza que apenas um artista e poeta consegue, aquilo que jamais um teólogo ou simples professor como eu conseguiria ensinar pela rigidez da exegética: 1º) Sim a oração deve ser sincera, afinal de contas Deus sabe de tudo, não há a menor possibilidade de enganá-lo; 2º) A oração sincera é aquela em que nos submetemos a Deus, reconhecemos que Ele é Senhor e nós devemos aceitar a sua soberana vontade; 3º) Apenas a oração sincera, um exercício de submissão a Deus nos dá liberdade para viver[3]; a submissão a Deus nos faz entender a nossa condição, nos libertando da ilusão do nosso eu, de que temos algum valor em nós mesmos que atraia Deus, tudo que Deus dá é ato de amor e misericórdia.

Isso me lembra o livro do filósofo e pastor batista Jonas Madureira: “Inteligência Humilhada[4]”, nessa majestosa obra teológica o pastor defende que não nos humilhamos diante de Deus, pois já somos humilhados, é uma condição humana estar humilhado diante de Deus. Enfim, a oração é um exercício de humildade, de reconhecimento da nossa condição perante Deus, isso foi há muito esquecido pelas ultimas gerações, passamos a determinar, não mais pedir a Deus, a fé passou a ser sinônimo de grandeza, quando deveria ser reconhecimento de pecado e carência de Deus. O amor de Deus deve nos constranger não nos envaidecer. Que Deus tenha misericórdia de nós.

Por fim, apenas uma breve observação: não quero enaltecer a arte e a música em detrimento do ensino, tampouco pretendo o inverso; apenas quero deixar claro que o ensino e a arte devem andar juntos. Não precisamos que a arte seja exegética, é necessário deixar a emoção falar; basta que cada um cumpra o seu papel, a quem cabe ensinar que ensine com esmero (Romanos 12.7), e o músico que expressar através da arte e talento que Deus lhe deu as suas experiências com Ele. Dessa forma a igreja de Cristo irá anunciar a todos a salvação em Jesus.



[1] Ouça o louvor pelo YouTube [clique aqui]
[2] Acesse o canal do YouTube [clique aqui]
[3] João 8.32
[4] Adquira seu exemplar pela Amazon [clique aqui]



terça-feira, 7 de abril de 2020

O Poço – Ideologia Insuficiente


...o protagonista, mesmo no fundo POÇO ainda acredita no “POSSO mudar a realidade”

...nada de bom vem de homens egoístas, pois até o que tentamos fazer de bom não passa de atitudes egoístas que visam nossos próprios interesses (Isaías 64.6).






No ano passado (2019) apresentei um trabalho no Encontro Nacional de Filosofia da Uninter (faculdade em que curso Filosofia) com o título “Ideologia Insuficiente”[1], esse trabalho teve origem em uma resenha que publiquei na revista Percurso Acadêmico sobre o conto de Machado de Assis “Igreja do Diabo” sob o título “Direito do Diabo”[2]; em ambos os textos basicamente defendo que uma ideologia, seja ela qual for, é insuficiente para explicar a realidade.

Na obra do “imortal”[3] Machado de Assis o diabo comunica a Deus que fará sua própria igreja e seus ensinos serão totalmente contrários aos de Deus, bem como as praticas ensinadas serão todas contrárias aos costumes vigentes. Para a surpresa do diabo, em pouco tempo as pessoas voltaram a praticar as virtudes de outrora. Percebo nisso que não adianta querer impor costumes, comportamentos, seja pela lei (imposição legal que chamo de Direito do Diabo em minha resenha) ou por narrativas, embora essa ultima seja eficaz exatamente pela sua sutileza.

Mas seja qual for o método de imposição de uma ideologia ele fracassará mais cedo ou mais tarde; e esse fracasso, bem como os suas razões são expressas no final do filme “O Poço”.

Para quem não viu o filme – aconselho que não vejam caso tenham estômago fraco, pois é violento, polêmico e não tem um final feliz, se é que tem um final... E mais, em hipótese alguma permita que crianças e adolescentes assistam a esse filme.

Trata-se de uma estrutura vertical, com dois indivíduos em cada andar, ninguém sabe ao certo quantos andares têm, até que uma ex funcionária da administração afirma existir 250 andares. Diariamente desce uma plataforma com comida que para por um curto espaço de tempo em cada andar para que as pessoas se alimentem. Claro que aqueles que estão e cima comem mais, até que não sobre nada para aqueles que estão nos últimos níveis. Detalhe, a cada mês os indivíduos são mudados de nível.

O protagonista, ao acordar no nível 6, calcula o tempo que a plataforma demora para voltar a subir e com isso faz um estimativa de quantos andares tem, com a ajuda de seu companheiro de nível ele resolve descer e distribuir a comida de modo que todos possam comer. Começam usando de violência e decidem não dar alimento algum aos 50 primeiros níveis e a partir do nível 51 começar a distribuir comida.

Contudo antes de chegar no nível 51 eles encontram um homem na cadeira de rodas que diz ser necessário primeiro tentarem convencer as pessoas a acreditar neles, caso não aceitem ai sim devem recorrer a violência pois uma mensagem deve ser entregue. Argumento típico de quem defende ideologias, afinal eles sabem o que é melhor e por isso vale tudo.

A medida que descem os confrontos são mais intensos, descobrem que a plataforma não para em níveis onde não há pessoas vivas, o que coloca a matemática do protagonista em xeque; para sua surpresa ainda maior, há muito mais que 250 níveis, são na verdade 333, uma clara alusão ao apocalipse bíblico.

Mas o que quero ressaltar é o que Nassim Nicholas Taleb, em seu aclamado “A lógica do Cisne Negro”nos diz, sabemos muito menos do que achamos saber, e o pouco que sabemos é de uma irrelevância imensa. Afirmação perturbadora, ainda mais para aqueles que defendem ideologias e não se importam com a verdade.

No final, o protagonista, mesmo no fundo POÇO ainda acredita no “POSSO mudar a realidade”. Ele não admite sua ignorância, não percebe que nem mesmo a administração sabia a verdade, pois acreditava estar enviando comida suficiente e apenas o egoísmo impedia que todos tivessem acesso a ela, mas se considerar que impediram os 50 primeiros níveis de comer, em tantos outros não havia pessoas vivas e mesmo assim faltou comida, é a prova concreta que ninguém sabia o que fazer para gerar o bem estar pleno das pessoas.

Entenda caro leitor, a redenção não vem de uma ação humana, ou mesmo uma mensagem da mais refinada mente humana (ideologia), a redenção, a Salvação, vem unicamente de Deus que entregou o seu único filho por nós. Não se trata de uma mensagem, uma ideologia abstrata; mas de uma Verdade que atravessa os séculos.


Há um único Deus que pode mudar nossa realidade! A paz que desejamos jamais virá através do capitalismo, do socialismo ou de qualquer outra ideia humana, nada vem de bom de homens egoístas, pois até o que tentamos fazer de bom não passa de atitudes egoístas que visam nossos próprios interesses (Isaías 64.6).


[1] Acesse o texto “Ideologia Insuficiente” na íntegra [clique aqui]
[2] Acesse o teto “Direito do Diabo” na íntegra [clique aqui]
[3] Assim são chamados os membros da ABL (Academia brasileira de Letras)


terça-feira, 31 de março de 2020

A Hipocrisia nossa de cada dia


Nelson Rodrigues sabia de sua distancia absurda da santidade, é possível acusa-lo de muitos pecados, menos de ser um hipócrita, ao contrário desse que vos escreve, pois possuí a plena consciência de ser um ex-hipócrita.


Como dizia o cronista e dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues[1]: “a hipocrisia é a substância da vida pública”. Imagina se todas as vezes que alguém perguntasse se estamos bem, ao invés de respondermos educadamente que estamos, contássemos todas as lamurias e desventuras que nos afligem diariamente? Ou quando perguntamos se alguém gostou do que fizemos e respondem que foi bom, embora não tenham gostado nem um pouco. Por isso não pergunto sobre meu sermão ou aulas (risos). Se não fosse essa hipocrisia a vida em sociedade não existira.

Talvez o prezado leitor esteja pensando: “isso não é hipocrisia; é apenas educação ou polidez”; educação e polidez são apenas o nomes bonitos que damos para falta de sinceridade que devemos usar no dia a dia.

Contudo não é esse tipo de hipocrisia que condeno, nem sempre devemos ser plenamente sinceros. O que Cristo condena é a hipocrisia dos fariseus em apontar pecados alheios (Mateus 23), no fundo condenamos a prática que conseguimos evitar mas adoraríamos fazer; em outras palavras a condenação ferrenha é uma auto afirmação, aquele que se acha muito santo(a) precisa de um pecador imundo a quem possa apontar e em relação a quem seja esse santo ou santa que imagina.

O problema é que somos condicionados a isso, não é culpa das igrejas, isso é uma condição humana, somos tão ruins que precisamos de pessoas piores que nós para nos sentirmos um pouco melhor, não é a toa que desde criança quando um adulto nos corrige logo apontamos um comportamento pior de um colega ou irmão. Nada representa melhor a imitação de Adão em nós do que a hipocrisia de apontar o pecado alheio.

Não estou dizendo que temos que aceitar o pecado das pessoas e fazer vista grossa, devemos reconhecer que temos tanta dificuldade em resistir quanto o nosso irmão. Se conseguimos resistir a alguma prática pecaminosa e nosso irmão não devemos firmemente mostrar a ele ou ela que aquela prática é pecaminosa e ajudar mostrando como fazemos para evitar, mas sem ficar acusando, pois temos a mesma probabilidade de cair no pecado que ele, apenas hipócritas não reconhecem a possibilidade de pecar.

Ainda vale lembrar que hipócrita[2] é a melhor palavra para caracterizar esse tipo de pessoa, pois se vestir de uma santidade que não tem é usar uma personalidade que não o pertence é a mais pura forma de hipocrisia, umas vez que essa palavra designava o ator do teatro grego, significando inicialmente “fingir”, ou seja o hipócrita era aquele que fingia ser quem não era, com o passar do tempo a palavra ganhou o sentido pejorativo que tem hoje.

Mas além dessa hipocrisia tem uma outra muito comum e igualmente nociva que é aquela que chamamos de polidez ou educação mas que não tem nenhum interesse em manter a convivência mas sim a de promover interesses pessoais e egoístas, isso é um problema, confesso que sempre tive dificuldades em concordar com ideias apenas para ficar bem com alguém, isso me custou e custa muita coisa, mas com o tempo aprendi que devo ficar calado para não “comprar brigas” desnecessárias (aprendi que poucas coisas valem a pena brigar), mas jamais devo abrir mão de minhas convicções para agradar os outros.

Por isso escrevo, pois aqui posso ser totalmente sincero, sabia do poder que a escrita tinha em tese mas desde que comecei a escrever habitualmente percebi como é bom e como posso deixar aqui o que penso sem amarras ou censuras e quem tiver interesse em saber o que penso tem onde procurar.

Por fim o leitor que conhece a biografia[3] de Nelson Rodrigues deve estar se perguntando como posso citá-lo em um texto que fala sobre pecado? Só por se perguntar isso já demonstra ser do grupo dos hipócritas. Nelson Rodrigues sabia de sua distancia absurda da santidade, é possível acusa-lo de muitos pecados, menos de ser um hipócrita, ao contrário desse que vos escreve, pois possuo a plena consciência de ser um ex-hipócrita.



[1] [cliqueaqui] para adquirir a obra “A vida como ela é”
[3] [cliqueaqui] para adquirir uma das biografias de Nelson Rodrigues

terça-feira, 24 de março de 2020

A morte que vem de Deus

"temer a morte é como temer o nascer ou o pôr do sol"


Antes de falar realmente o que tenho em mente, é preciso dizer que embora esteja escrevendo esse texto durante o período de quarentena por causa do corona vírus, a morte que me refiro aqui não tem nenhuma relação com esse vírus de origem asiática.

Tampouco estou tratando da morte espiritual, que para os leitores envolvidos em algum contexto eclesiástico ou teológico é um termo bem conhecido, nem mesmo estou falando da morte para o mundo, expressão usada como sinônimo de conversão.

Então do que estou falando afinal? Simples! Me refiro a morte normal, que todos nós passaremos por ela. Em momentos de epidemias ou de doenças graves que antecedem o mal irremediável, pelo qual todos passaremos, é normal ouvir palavras de encorajamento e de consolo. Palavras essas que são muito bem vindas, não me entenda mal caro leitor.

A reflexão que deixo é de que a morte é tão natural quanto a vida, claro que amigos, irmãos e teólogos (profissionais ou curiosos) vão me rebater dizendo que a morte é uma consequência do pecado, pois foi após a queda (pecado de Adão em desobedecer a Deus, desprezando o mandamento divino, que repetimos individualmente em nossas práticas) que a morte passou a vigorar sobre o mundo.

Com todo respeito a crença de meus irmãos e estudos dos grandes teólogos, ouso discordar, não faz muito sentido Deus criar o homem imortal, pois seria estranho todos os seres morrerem e só o ser humano permanecer vivo, além da super população que rapidamente iria se acumular na terra. Sobre isso ainda podem objetar dizendo que a natureza inteira só passou a morrer após o pecado do homem, não me parece que as leis da física foram alteradas com o pecado do homem, as leis naturais foram estabelecidas por Deus na criação e ai estão, e estarão até o fim.

Ainda argumentando que foi o pecado de Adão a trazer a morte para o mundo usa-se o texto em I Coríntios 15.21-22, que diz:

²¹Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. ²²Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.

Mas se a morte física vem pelo pecado porque o sacrifício de Jesus anula apenas a condenação e não retira esse suposto efeito do pecado? Essa é até respondida facilmente. Mas há uma outra pergunta que os teólogos não conseguem responder e por isso mantêm a ideia de que a morte natural é consequência do pecado, a pergunta é a seguinte: se a morte física não for consequência do pecado qual foi a grande consequência do pecado?

A resposta é um tanto simples, a grande consequência do pecado foi o que a teologia chama de “depravação total”, a humanidade passa a estar morta em delitos e pecados (Efésios 2.1); com a queda fomos destituídos da Glória de Deus (Romanos 3.23), com isso a paz que o homem tinha antes do pecado de saber que a vida estava nas mãos do criador foi retirada e passamos a temer a morte.

Não passamos a morrer após o pecado, contudo sem um relacionamento pleno com o criador deixamos de entender que tudo é feito e determinado por Ele, com isso passamos a temer o futuro e deixamos de confiar no Deus todo poderoso pois a nossa natureza está desligada do criador, é por isso que Cristo é a ressurreição, Ele revive nossa consciência em Deus, nos leva a crer novamente na grandeza de Deus, em Seu amor, misericórdia e soberania.

O crente realmente convertido a Deus não teme a morte, nem se desespera, é importante lembrar que no Salmo 116.15 está registrado que Deus tem prazer na morte daqueles que são seus. Algo que as vezes escandaliza é dizer que Deus tem prazer na morte da criança, pois ali termina o sofrimento dela neste mundo caído.

Portanto caro leitor, esse texto é pra lembrar que a morte é uma determinação de Deus, o desejo dele é que a sua relação com Ele te permita não temer o fim da vida terrena, pois quando se trata da morte daquele que esta distante de Deus a Bíblia diz que Deus não tem prazer (Ezequiel 33.11). Aceite Deus em sua vida e viva a paz que só Jesus pode dar, não tema a morte, afinal de contas temer a morte é como temer o nascer ou o pôr do sol.



terça-feira, 17 de março de 2020

Religioso ateu ou Cristão pecador



“Ora se as obras não salvam também não condenam” (Rodrigo Silva)



Sei que o título soa estranho. Como assim um religioso pode ser ateu? Claro que não estou levantando a possibilidade de se ter uma religião sem se crer em alguma coisa ou algum ser transcendente. A provocação se dá em relação ao cristianismo contemporâneo que nega a Cristo, não entende quem Jesus é nem a sua obra na cruz.

A ultima frase que me assustou foi a de um palestrante dizendo que não se sente inferior a Cristo, ele disse: “você tem o mesmo valor de Jesus”, argumentando que se Jesus foi dado por nós logo temos alto valor. Uma grande mentira![1] Tiraram Deus e Jesus de seu lugar e colocaram a si mesmos, ou seja, religiosos que creem na própria divindade, uma vez que isso é absurdo se tornam ateus, pois não creem em nada além de si mesmos, como diz a música da banda Oficina G3: ”Os homens e seus espelhos mágicos, nada veem além de si mesmos...”

Parece algo ótimo de se dizer; o problema é que Cristo não pagou o preço que valemos, mas dívida que adquirimos, exatamente por desprezar a Deus, rejeitar o seu cuidado e seus mandamentos, isso acumulou sobre nós um juízo de morte, pois é a morte o salário ou a recompensa do pecado (Rm 6.23).

Nunca caia nessas mentiras caro leitor, nós somos seres caídos, destituídos da benção de Deus, nos tornamos inimigos de Deus por causa do pecado e envolvimento com o mundo (Tg 4.4). Essas interpretações humanistas que visam motivar e promover o palestrante (pois essas pessoas não são pregadores) são interpretações enganosas que levam multidões para o inferno.

Calma! Não estou fazendo terrorismo, sempre que falo de pecado gosto de lembrar da fala do pastor Rodrigo Silva registrada em palestra e em seu livro “O ceticismo da Fé”, em que ele diz:

somos condenados não pelo pecado que cometemos, mas somos condenados pelo perdão que rejeitamos. Ora se as obras não salvam também não condenam.

Nessa fala o pastor adventista nos traz a clareza sobre a salvação pela graça, somos salvos unicamente pela graça e misericórdia de Deus, a obra que salva é a obra de Cristo na cruz do calvário, ou seja, se sou um legalista e penso que entrarei no seu por deixar de praticar isso ou aquilo estou na verdade caminhando em santidade para o inferno, pois somos salvos apenas se cremos em Jesus como Deus e confiando que o Seu sangue derramado na cruz tem poder para lavar meu pecado.

Por outro lado se levo uma vida desregrada por que penso ser filho de Deus e meu ingresso para o seu está garantido sou um nominalista e estou no mesmo caminho dos judeus repreendidos por Paulo nas cartas aos coríntios, pois o salvo tem maior prazer nas coisas de Deus, em agir de maneira que agrade e glorifique o seu criado e Salvador, em outras palavras, a santificação é a resposta do salvo que entendeu a obra de Cristo na cruz e vive para agradecer a Ele. Isso é temor e difere do medo, pois o salvo não tem medo de ir para o inferno, o salvo é grato por ter sido perdoado e retirado do caminho para o inferno. Assim nos lembra Teresa D’ávila:

Não me move, Senhor, para querer-te,
o céu que me hás um dia prometido;
nem me move o inferno tão temido,
para deixar por isso de ofender-te.

Move-me tu, Senhor, move-me o ver-te
cravado nessa cruz e escarnecido;
move-me no teu corpo tão ferido
ver o suor de agonia que ele verte.

Move-me ao teu amor de tal maneira,
que a não haver o céu eu te amara
e a não haver o inferno te temera.

Nada tens a me dar porque te queira
pois se o que ouso esperar não esperara,
o mesmo que quero te quisera.

Chamo atenção para os dois últimos tercetos, se não houver céu ela ama, se não houver inferno ela teme, pois ela ama quem Deus é e teme, respeita, reverencia (não tem medo) a glória, a majestade do Deus criador e salvador. Caro leitor, sinceramente esse soneto é a melhor e mais sublime confissão de fé que conheço. Que Deus coloque esse mesmo sentimento e compreensão em mim.



[1] Deixei de citar o nome do autor da celebre frase mas deixo o link para o vídeo dele – clique aqui.

terça-feira, 10 de março de 2020

Pecado


“o inferno é [sempre] o outro”. [...] “se o outro é o inferno, em algum momento eu sou o inferno do outro”. Essa é minha grande confissão!

Sei que é estranho falar de pecado, ainda mais em nossa época. Não entenda, caro leitor, esse texto como um julgamento ou acusação seja a quem for; trata-se na verdade de uma sincera confissão. Confissão de alguém que não entende como pessoas se dizem tão certinhas e ao mesmo tempo se dizem vítimas dos mais variados vícios alheios. A conta não fecha.

Ora, se todos são vítimas de vícios alheios, mas ninguém admite possuir tais vícios tem alguma coisa errada. Talvez você nunca tenha se perguntado isso pois pertence a esse grande coro de vitimados que possuem uma convicção inabalável em uma ideia do filósofo Jean-Paul Sartre: “o inferno é o outro”. Entretanto não percebem uma coisa óbvia que aparentemente nem o referido filósofo percebia: “se o outro é o inferno, em algum momento eu sou o inferno do outro”. Esta é minha grande confissão!

Tenho certeza de que em vários momentos minha falta de controle sobre meu humor feriu minha mãe, meus amigos e familiares. Minha certeza sobre questões religiosas magoaram familiares tão queridos. Meus desejos egoístas feriram pessoas que confiavam em mim ou deixei de ajudar pessoas a minha volta simplesmente por me importar mais comigo. Tudo isso fruto de uma natureza pecaminosa e da minha incapacidade de lidar com ela.

Por isso corro daqueles religiosos que cantam a própria santidade a plenos pulmões como se tivessem todo o controle sobre suas ações. Não temos! Muitas vezes nos vemos dominados pelo nosso pecado, o pecado que nos constitui. Quantas vezes percebi em mim a fala do apóstolo Paulo incapaz de fazer o bem que queria mas entregue a desejo perverso que me constitui (Rm 7.19-20).

Claro que devemos pregar e ensinar o que a Palavra de Deus diz ser pecaminoso: “E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o impuro e o puro.” (Ez 44.23)

Contudo, sabendo da nossa fraqueza e incapacidade plena de nos dominar, devemos sempre nos lembrar que nossa comunhão com Deus é dada pela misericórdia Dele e pela ação do Espírito Santo que mediante o sacrifício de Cristo nos leva para perto de Deus.

Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. (I João 2.1)

Quando falo ou penso sobre esse tema sempre me lembro de como Deus repreendeu a Caim enquanto desejava matar seu irmão:

Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás. (Gn 4.7)

O problema é que pensamos ser fácil dominar o desejo, pensamos que isso pode ser feito sem a ação de Deus e assim aqueles que por vários fatores conseguem se conter se sentem no direito de humilhar e desprezar aqueles que possuem dificuldades em conter a si mesmos, se esquecem que estamos todos na mesma condição.


Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. (Rm 3.23-26)

Devemos nos lembrar da parábola que Jesus propôs, registrada no evangelho de Lucas, capítulo 18, versículos 9 a 14, que se inicia exatamente falando daqueles que se achavam justos por confiarem em si mesmos, no próprio caráter e bondade; nessa parábola Cristo diz que entraram no templo um fariseu (religioso) e um publicano (mal visto pela sociedade por sua proximidade com os romanos e atividades financeiras, que subjugava o povo), o fariseu se vangloriava de suas atividades religiosas que o tornavam bondoso (ao menos ele achava que tornavam); já o publicano se humilhava dizendo, sem levantar os olhos por não se achar digno: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”; Cristo afirma que esse último desceu justificado. 

Não somos justos ou bons; Cristo é justo e nos justifica pela sua graça e misericórdia, como diz Luiz Felipe Pondé: “apenas a consciência das sombras pode garantir alguma luz”. Que Deus tenha misericórdia de mim que sou pecador.

terça-feira, 3 de março de 2020

A Era da Inversão


"Se liberdade é abandonar todo o ensino que trouxe a Igreja de Cristo e a sociedade até aqui, invertendo e subvertendo todo o ensino das escrituras, que Deus me livre de ser livre."


Na semana passada escrevi aqui no blog e publiquei um vídeo falando sobre evangelismo no período do carnaval. A tese fundante era que não devemos imitar a festa secular, pois desde sua origem ela é voltada para os deleites mundanos e contrária a Palavra de Deus.

O que me chamou a atenção foi a não compreensão ou mesmo a indisposição das pessoas em entender o que eu estava dizendo, pressupondo que sou contra o evangelismo durante o carnaval; vale ressaltar que estou pressupondo o não entendimento, pois caso tenham entendi o caso é bem mais grave do que eu pensava, pois estarei enfrentando falsos cristãos.

Não sou contra o evangelismo, sou terminantemente contra a imitação daquilo que é contrário a Bíblia. Para se oporem a mim utilizaram o texto de I Coríntios 9.19-23, em que basicamente Paulo diz ter se feito tudo para com todos para salvar alguns. Contudo isso é retirar o texto de contexto, pois obviamente o apóstolo não está dizendo que imitou os costumes idólatras daquela cidade ou participou de festas e cultos que honravam aos deuses daquelas pessoas. Paulo se fez fraco não profano.

Não há nada no texto nem em toda a Bíblia que sirva de base para justificar imitar uma festa cujo objetivo é o exagero dos prazeres profanos, o que Paulo está dizendo é que confrontar os hábitos e modo de pensar das pessoas não é a melhor maneira de anunciar o evangelho, mas devemos partir daquilo que é compreensível para as pessoas e então falar da Salvação, como ele fez em Atenas (Atos 17).

Mas carnaval a parte o que me chama a atenção nisso é a inversão de valores. Como cristãos estão perdidos e não entendem nem vivem a fé, confundem a liberdade do evangelho com a libertinagem do mundo a nossa volta, não discernindo aquilo que convém e aquilo que não convém. Infelizmente estamos nos tornando fruto da nossa época, a Era da inversão; ou como Zigmunt Bauman nos ensina: a “Modernidade Líquida”, onde laços e valores não possuem mais solidez, são desfeitos, ignorados ou substituídos o tempo todo.

Sinceramente fico preocupado, mas não assustado, pois a bíblia está repleta de alertas sobre essa época. Há um tempo escrevi sobre o Complexo de Judas, mostrando como belos discursos disfarçam as más intenções, olha como a bíblia nos alerta contra essa prática:

Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim e, com a boca e com os lábios, me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído (Isaías 29.13)

Ou como o Senhor nos alerta da falta de fé em nossa geração:

Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra? (Lucas 18.8)

A igreja atual vem se secularizando e sendo influenciada pelo pensamento existencialista e hedonista que predomina em nossos dias, em que se entende que o ser humano é livre para ser o que quiser e deve sempre buscar a satisfação do seus desejos. Nessa busca desenfreada pelo prazer e pelo ser o que quiser estamos vendo a miséria humana aflorar minando o fundamento da sociedade e da igreja.

Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo! (Isaías 5.20)

Na sociedade é o pensamento existencialista que leva ao abandono de costumes, valores e regras, um desejo por liberdade; nas igrejas o desejo é o mesmo, a inversão se dá exatamente por se rejeitar o compromisso com o verdadeiro ensino bíblico e com as pessoas que estão a nossa volta, contudo existe um agravante: se a fé vem pelo ouvir e ouvir a palavra (Rm 10.7), como termos fé se ouvimos apenas músicas e palestras motivacionais? Se liberdade é abandonar todo o ensino que trouxe a Igreja de Cristo e a sociedade até aqui, invertendo e subvertendo todo o ensino das escrituras, que Deus me livre de ser livre.


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